terça-feira, 3 de novembro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
looks like homeless
Enquanto o mozilla girava e girava, abrindo todas as abas dos meus favoritos, eu checava os já carregados. Neste solene momento, dei-me conta de algo que eu nunca tinha parado para pensar sobre. Desci a barra de rolagem do coutequecoute e percebi: não sei montar outfits masculinos. Não faço a menor idéia, actually. Não tenho noção de estrutura, da proporção do corpo e dos números, do tecido que vai cair bem, e qual o corte, enfim, no fucking clue. Não sei quais cores ficam bem com o que e com qual tonalidade de pele, não sei o que disfarça os gordinhos, não sei o que favorece os magros, não sei o que está em alta no universo masculino e não compreendo direito a coerência que as tendências seguem.
Aí, parei para pensar no que sempre foi meu parâmetro fashionista do universo masculino: mendigos. Vivo, quase diariamente, a seguinte situação. Estou passando pela rua e deparo-me com um mendigo. Na sequência, olho em volta e reparo no primeiro cara com ares de quem tem onde cair morto. Na maioria das vezes, prefiro o outfit do mendigo. Os homens têm uma tendência incrível ao simplismo. Não estou generalizando, tampouco falando em minimalismo. É simplismo mesmo, e, na maioria dos homens, consta. É aquela idéia de colocar uma camiseta com escritos sem sentido em inglês ("psycho surfer", repare. Há milhares), uma calça jeans de corte qualquer e um tênis horroroso, indicado para corridas. Aí cria-se o conceito de que o cara é um surfista maluco que veste calças estranhas e vai disputar a São Silvestre a qualquer instante. É essa a temática que eles querem passar ou eles não se importam? Passemos para o mendigo.
O outfit do mendigo é sempre aquele despropósito conceitual, vivem em eternos revivals de descartes alheios e apostam nas sobreposições e na durabilidade. Pelo fato de as roupas já estarem desgastadas, elas ganham aquele ar de cores "sujas", cores neutras, uma paleta mais natural. Abalam as estruturas preppy, indo contra os modismos e criando, desde as ruas, sua própria tendência. Conforme adquirem, sabe-se lá como, suas peças, vão montando o composit de acordo com a temperatura e o meio. Nada mais coerente. E falando em "sabe-se lá como", quer algo mais hype do que ter roupas que vêm do nada, que ninguém sabe identificar onde foram compradas? Fora que second-hand clothes nunca estiveram tão em alta. Mendigos constroem seu conceito sem querer.
Se pegarmos o sentido bruto da palavra "moda", ela nada mais é do que a variável de maior frequência, ou seja, é o valor, em termos de medidas, mais popular. Quando alguém me diz que eu "estou na moda", paro e penso. Olho ao redor. A maior parte das pessoas não se importa com o que vão passar com a roupa, não a veem como uma forma de comunicação e uma primeira impressão, não a consideram uma fundamental peça de contato inicial e "pré-conceitos". As pessoas não ligam. Se esse fenômeno ocorre com a maioria, logo, a moda é não se importar e se vestir mal. A variável de maior frequência.
Tenho pavor de estar na moda. Sempre prefiro fazer parte da minoria que se importa. A variável de menor frequência que quer estar bem consigo mesma. Os mendigos também são assim. Fazem parte da minoria. Talvez não vejam o The Sartorialist, mas usam sapatos sem meias. Talvez não vejam o Garbage Dress, mas devem encontrar roupas no lixo. Talvez não entendam muito bem o coute que coute e todo o universo de roupas masculinas, do mesmo jeito que eu não entendo e talvez nem percam o seu tempo (e quanto tempo eles têm!) pensando nessas coisas. Mas, dentro do inconsciente coletivo fashionista, tudo é válido. Os mendigos, querendo ou não, fazem parte disso.
Há algo mais street style do que um mendigo?
Aí, parei para pensar no que sempre foi meu parâmetro fashionista do universo masculino: mendigos. Vivo, quase diariamente, a seguinte situação. Estou passando pela rua e deparo-me com um mendigo. Na sequência, olho em volta e reparo no primeiro cara com ares de quem tem onde cair morto. Na maioria das vezes, prefiro o outfit do mendigo. Os homens têm uma tendência incrível ao simplismo. Não estou generalizando, tampouco falando em minimalismo. É simplismo mesmo, e, na maioria dos homens, consta. É aquela idéia de colocar uma camiseta com escritos sem sentido em inglês ("psycho surfer", repare. Há milhares), uma calça jeans de corte qualquer e um tênis horroroso, indicado para corridas. Aí cria-se o conceito de que o cara é um surfista maluco que veste calças estranhas e vai disputar a São Silvestre a qualquer instante. É essa a temática que eles querem passar ou eles não se importam? Passemos para o mendigo.
O outfit do mendigo é sempre aquele despropósito conceitual, vivem em eternos revivals de descartes alheios e apostam nas sobreposições e na durabilidade. Pelo fato de as roupas já estarem desgastadas, elas ganham aquele ar de cores "sujas", cores neutras, uma paleta mais natural. Abalam as estruturas preppy, indo contra os modismos e criando, desde as ruas, sua própria tendência. Conforme adquirem, sabe-se lá como, suas peças, vão montando o composit de acordo com a temperatura e o meio. Nada mais coerente. E falando em "sabe-se lá como", quer algo mais hype do que ter roupas que vêm do nada, que ninguém sabe identificar onde foram compradas? Fora que second-hand clothes nunca estiveram tão em alta. Mendigos constroem seu conceito sem querer.
Se pegarmos o sentido bruto da palavra "moda", ela nada mais é do que a variável de maior frequência, ou seja, é o valor, em termos de medidas, mais popular. Quando alguém me diz que eu "estou na moda", paro e penso. Olho ao redor. A maior parte das pessoas não se importa com o que vão passar com a roupa, não a veem como uma forma de comunicação e uma primeira impressão, não a consideram uma fundamental peça de contato inicial e "pré-conceitos". As pessoas não ligam. Se esse fenômeno ocorre com a maioria, logo, a moda é não se importar e se vestir mal. A variável de maior frequência.
Tenho pavor de estar na moda. Sempre prefiro fazer parte da minoria que se importa. A variável de menor frequência que quer estar bem consigo mesma. Os mendigos também são assim. Fazem parte da minoria. Talvez não vejam o The Sartorialist, mas usam sapatos sem meias. Talvez não vejam o Garbage Dress, mas devem encontrar roupas no lixo. Talvez não entendam muito bem o coute que coute e todo o universo de roupas masculinas, do mesmo jeito que eu não entendo e talvez nem percam o seu tempo (e quanto tempo eles têm!) pensando nessas coisas. Mas, dentro do inconsciente coletivo fashionista, tudo é válido. Os mendigos, querendo ou não, fazem parte disso.
Há algo mais street style do que um mendigo?
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
bem comida do dia
Hospital. Freaking 8:30h da manhã. Sala de coleta. Muitos velhinhos jogados pelos cantos, nas desconfortáveis cadeiras, lendo jornais de semanas atrás. Requisições, pessoas, potinhos, todos circulando pela sala. E eu ali, com a ficha 73 na mão. "Puta merda, vou me atrasar pro trampo", pensamento recorrente. Mau humor, pressa, vontade de ir no banheiro e enjôo matinal proveniente da sibutramina.
- 73!
Eu. Ótimo.
- Bom dia. :)
- Ó. Tenho que entregar isso para coleta. ):(
- Ah, sim. Só vou te fazer o cadastro :D
- Tá. ]:|
- Tudo bem *checa minha ficha*, Silvia. Pode me entregar tua coleta de urina. É a primeira urina do dia? :DD
- Sim. ^o)
- Tudo certo. Vai ficar pronto dia 15, ou tu podes acompanhar pela internet se fica pronto antes. E ah, que bonita tua roupa. xD
A pinta acorda sabe-se lá que horas pra pegar num trampo que consiste em ficar sentada numa sala de espera recebendo mijo em potinho e cadastrando fichas. É ridiculamente bem humorada e elogia a roupa de quem passa seu xixi para ela. Dá pra acreditar num troço desses?
- 73!
Eu. Ótimo.
- Bom dia. :)
- Ó. Tenho que entregar isso para coleta. ):(
- Ah, sim. Só vou te fazer o cadastro :D
- Tá. ]:|
- Tudo bem *checa minha ficha*, Silvia. Pode me entregar tua coleta de urina. É a primeira urina do dia? :DD
- Sim. ^o)
- Tudo certo. Vai ficar pronto dia 15, ou tu podes acompanhar pela internet se fica pronto antes. E ah, que bonita tua roupa. xD
A pinta acorda sabe-se lá que horas pra pegar num trampo que consiste em ficar sentada numa sala de espera recebendo mijo em potinho e cadastrando fichas. É ridiculamente bem humorada e elogia a roupa de quem passa seu xixi para ela. Dá pra acreditar num troço desses?
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
se demitir e coçar, é só começar
Quase um mês desde o último post, volto a dar as caras por aqui... Mudei o prisma em relação a tantas coisas neste último mês que já nem sei mais. Ultimamente é tanto trampo, projeto de faculdade, correria que nem vejo a semana passar. Durmo pensando nos prazos da faculdade, acordo no meio da noite pensando em um arquivo do trampo que eu fechei com Stone Sans, enquanto deveria ter sido Stone Sans Std Semibold e aí já não durmo mais. Ando me atucanando com pouco, me alimentando mal, engordando e ficando com a pele podre. A gente se dá conta do declínio quando o Seu Bigode, do Cachorro-Quente do Bigode, olha para ti e diz "Ô amiga, número dois com guaraná diet, né? Espera que já sai!". Aí é foda. Por outro lado, paro, penso e me dou conta de que estou na melhor fase da minha vida.
Se demitir é, definitivamente, delicioso. É um lance meio banda Vexame, "siga seu rumo". "Quem é? Sou eu! O que é que você quer? Vo-cê! É tarde! Por que? Porque hoje sou eu quem não quer mais você!". Aí sai-se batendo porta, e eu quase não gosto de um drama. Há pouco fiquei sabendo através dos meus informantes (a.k.a. secretária "silvia team") que falaram mal de mim na minha saída, que eu não respeitava o horário, que eu saí deixando uma série de coisas pendentes e tudo mais. A menina que entrou no meu lugar cagou todo o arquivo de um projeto de encarte, o que desencadeou em horas de trabalho fazendo algo que já havia sido feito e, claro, um xingão do chefe que fez com que a menina não aparecesse mais lá. Meu santo é forte. É bom ver o quanto dói uma saudade. Acho que nem quando eu fui panfleteira me senti tão pouco digna... NOT.
Agora, mudança de ares. É maravilhoso ter novamente a sensação de estar aprendendo algo. Trabalhar com pessoas que sabem o que estão fazendo e que realmente podem te passar ensinamentos karatê kid para o resto da vida. Diagramando e pintando a cerca. Outra que eu sempre quis trabalhar no centro, o 18° andar da esquina democrática é inspirador. Meu campo de visão anterior eram algumas janelas através da janela atrás do meu computador. As windows atrás do Windows. Agora, meu campo de visão são prédios e mais prédios, o Guaíba, o Mercado, os corredores de ônibus e aquele fluxo inerminável de transeuntes. Se eu me concentro bem, quase vejo os comandos do Roller Coaster Tycoon na janela, aquele barulho das pessoas conversando, gritando, rindo é o mesmo. Talvez se parecesse mais com o Sim City, mas nunca fui de jogar Sim City, só The Sims, Silvia, volta pro teu computador pra não deixar transparecer o déficit de atenção, penso. Enfim, estou adorando o novo trampo.
Como eu ainda não tenho exatamente que me preocupar com muitas contas além dos carnê do Seu Renner, ou com sustento, filhos e aquela coisa toda, aproveito para experimentar. Experimentei dois trampos e nenhum me apeteceu. Agora, vamos para uma coisa nova e ver se é isso o que quero. Se afirmar dentro da área de atuação deve ser a melhor sensação do mundo. Aliás, não, têm sensações melhores com certeza, mas deve ser do caralho trabalhar e pensar "porra, que massa isso que eu faço". Impossível ser feliz sem uma função, sem sentir que se está sendo útil para alguma coisa. Trabalho, amor, sexo, comida, viagem, viagem (Se repete pela abrangência da denotação. Ver conotação.) amigos, conforto, estudo. Se tiver como ficar melhor do que isso, quero muito experimentar.
Se demitir é, definitivamente, delicioso. É um lance meio banda Vexame, "siga seu rumo". "Quem é? Sou eu! O que é que você quer? Vo-cê! É tarde! Por que? Porque hoje sou eu quem não quer mais você!". Aí sai-se batendo porta, e eu quase não gosto de um drama. Há pouco fiquei sabendo através dos meus informantes (a.k.a. secretária "silvia team") que falaram mal de mim na minha saída, que eu não respeitava o horário, que eu saí deixando uma série de coisas pendentes e tudo mais. A menina que entrou no meu lugar cagou todo o arquivo de um projeto de encarte, o que desencadeou em horas de trabalho fazendo algo que já havia sido feito e, claro, um xingão do chefe que fez com que a menina não aparecesse mais lá. Meu santo é forte. É bom ver o quanto dói uma saudade. Acho que nem quando eu fui panfleteira me senti tão pouco digna... NOT.
Agora, mudança de ares. É maravilhoso ter novamente a sensação de estar aprendendo algo. Trabalhar com pessoas que sabem o que estão fazendo e que realmente podem te passar ensinamentos karatê kid para o resto da vida. Diagramando e pintando a cerca. Outra que eu sempre quis trabalhar no centro, o 18° andar da esquina democrática é inspirador. Meu campo de visão anterior eram algumas janelas através da janela atrás do meu computador. As windows atrás do Windows. Agora, meu campo de visão são prédios e mais prédios, o Guaíba, o Mercado, os corredores de ônibus e aquele fluxo inerminável de transeuntes. Se eu me concentro bem, quase vejo os comandos do Roller Coaster Tycoon na janela, aquele barulho das pessoas conversando, gritando, rindo é o mesmo. Talvez se parecesse mais com o Sim City, mas nunca fui de jogar Sim City, só The Sims, Silvia, volta pro teu computador pra não deixar transparecer o déficit de atenção, penso. Enfim, estou adorando o novo trampo.
Como eu ainda não tenho exatamente que me preocupar com muitas contas além dos carnê do Seu Renner, ou com sustento, filhos e aquela coisa toda, aproveito para experimentar. Experimentei dois trampos e nenhum me apeteceu. Agora, vamos para uma coisa nova e ver se é isso o que quero. Se afirmar dentro da área de atuação deve ser a melhor sensação do mundo. Aliás, não, têm sensações melhores com certeza, mas deve ser do caralho trabalhar e pensar "porra, que massa isso que eu faço". Impossível ser feliz sem uma função, sem sentir que se está sendo útil para alguma coisa. Trabalho, amor, sexo, comida, viagem, viagem (Se repete pela abrangência da denotação. Ver conotação.) amigos, conforto, estudo. Se tiver como ficar melhor do que isso, quero muito experimentar.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
28-VIII-2009
Hoje despertei antes do despertador. O dia amanheceu bonito, os graus celsius têm entrado na casa dos vinte e poucos e têm entrado de mansinho pela minha persiana, é delicioso poder dormir de janela aberta. Meu último dia hoje, na agência. Minha primeira demissão, é delicioso poder se demitir. Aí novinha, quer pegar prestígio? Aí novinha, quer pegar prestígio? Senta no colo do DJ, vai!, anunciou meu celular. Hora de levantar. Embora eu não quisesse. Nem levantar e nem sentar no colo do DJ, mas enfim, é ótimo de acordar com o DJ Baconzitos, dificilmente se consegue ignorá-lo e voltar a dormir. Banho, chinelo, café, torradeira, Otto, secador, outfit, carteira, MP4, rua. A seqüência é sempre a mesma.
Limpei minha mesinha. Tirei o Pingu que tinha em cima do meu monitor, o Magic Duende de cabelo laranja, hit dos anos 90, de cima do CPU e alguns brindes de kinderovo que estavam por ali zuando nas caixinhas de som. Minha gaveta de esmaltes, lixa, cortador de unha, gloss, Fumentol, pinça, algodão, acetona, pantufas, balas 7 belo, entre outros, também foi esvaziada. Que coisa. Eu mando agora um abraço pros convivas.
A secretária, tão querida e tão menosprezada por mim, chorou. Meu colega, tão boa pessoa e tão escurraçado por mim, "vê se aparece, Silvia". Meu sub-chefe, tantas ideologias e crenças que eu sempre botava em questão, me abraçou. Meu chefe... bem, meu chefe não estava lá, mas a parte mais triste foi com ele mesmo, "boa sorte pra ti, então, gata, que tudo dê certo na tua nova agência, azar o nosso...", disse ele, quando informei que aquela era minha última semana, olhando para sua mesa, sem me encarar nos olhos.
Baconzitos está certo. Sou novinha e quero pegar prestígio. Não no colo do DJ, sempre se encontram outras maneiras, mas enfim, a Sapucaí é longa demais para nos prendermos onde os acalentos se estancam.
Limpei minha mesinha. Tirei o Pingu que tinha em cima do meu monitor, o Magic Duende de cabelo laranja, hit dos anos 90, de cima do CPU e alguns brindes de kinderovo que estavam por ali zuando nas caixinhas de som. Minha gaveta de esmaltes, lixa, cortador de unha, gloss, Fumentol, pinça, algodão, acetona, pantufas, balas 7 belo, entre outros, também foi esvaziada. Que coisa. Eu mando agora um abraço pros convivas.
A secretária, tão querida e tão menosprezada por mim, chorou. Meu colega, tão boa pessoa e tão escurraçado por mim, "vê se aparece, Silvia". Meu sub-chefe, tantas ideologias e crenças que eu sempre botava em questão, me abraçou. Meu chefe... bem, meu chefe não estava lá, mas a parte mais triste foi com ele mesmo, "boa sorte pra ti, então, gata, que tudo dê certo na tua nova agência, azar o nosso...", disse ele, quando informei que aquela era minha última semana, olhando para sua mesa, sem me encarar nos olhos.
Baconzitos está certo. Sou novinha e quero pegar prestígio. Não no colo do DJ, sempre se encontram outras maneiras, mas enfim, a Sapucaí é longa demais para nos prendermos onde os acalentos se estancam.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
smells like teen spirit
Então. Tá aí algo que eu nutro: lentilha tem cheiro de maconha. Eu, no auge da minha inocência, aos treze ("porque nem todo mundo era junkybitch"), na Redenção, indo andar de pedalinho. Nossa, pensava eu, que cheiro de lentilha! Sempre achei estranho alguém se dar ao trabalho de ir para a Redenção preparar lentilha. Mas iam. E eu achava aquilo bacana, mó saudável. Cresci com essa convicção, até que a vida me corrompeu.
Certo dia me dei conta de que aquele cheiro da infância - adoro sentir cheiros da infância! - era, na verdade, outra coisa verde e natural que não lentilha. Me senti meio boba, mas aí avaliei: os cheiros são muito parecidos. Juro. Ou são plantas de um mesmo filo (?!), ou rolava uma cannabis cabreira na lentilha lá de casa, ou misturam lentilha na maconha, fingir que são as sementes esmugadas, eu sei lá. Eis que me convenci de que o cheiro é muito parecido sim.
Na sapiência de minha maturidade, percebi que aquele fato era digno de estudo, fez-se necessária a proliferação da descoberta, precisava fazer algo em relação a aquilo. Aí fui lá e fiz uma comunidade no orkut. "Lentilha Tem Cheiro de Maconha". Atingiu sete membros em seu apogeu, vendo o sucesso e o potencial da comunidade, um tal de "Paulo Rennó" a roubou para ser moderador. Nunca quis devolver, sob meus insistentes pedidos. Hoje ela é uma próspera comunidade de cinco membros, e um único tópico de discussão intitulado "Casaco rima com travesseiro".
Sabe, a sensação de complitude e missão cumprida no mundo, às vezes, pode ser tão fácil de atingir...
Certo dia me dei conta de que aquele cheiro da infância - adoro sentir cheiros da infância! - era, na verdade, outra coisa verde e natural que não lentilha. Me senti meio boba, mas aí avaliei: os cheiros são muito parecidos. Juro. Ou são plantas de um mesmo filo (?!), ou rolava uma cannabis cabreira na lentilha lá de casa, ou misturam lentilha na maconha, fingir que são as sementes esmugadas, eu sei lá. Eis que me convenci de que o cheiro é muito parecido sim.
Na sapiência de minha maturidade, percebi que aquele fato era digno de estudo, fez-se necessária a proliferação da descoberta, precisava fazer algo em relação a aquilo. Aí fui lá e fiz uma comunidade no orkut. "Lentilha Tem Cheiro de Maconha". Atingiu sete membros em seu apogeu, vendo o sucesso e o potencial da comunidade, um tal de "Paulo Rennó" a roubou para ser moderador. Nunca quis devolver, sob meus insistentes pedidos. Hoje ela é uma próspera comunidade de cinco membros, e um único tópico de discussão intitulado "Casaco rima com travesseiro".
Sabe, a sensação de complitude e missão cumprida no mundo, às vezes, pode ser tão fácil de atingir...
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